Oficina de Culinária promove integração, autonomia e bem-estar entre idosos

Os moradores do Abrigo Bom Jesus participaram de mais uma edição da tradicional Oficina de Culinária, atividade que tem se destacado como uma importante ferramenta de promoção da saúde, socialização e valorização da pessoa idosa. A iniciativa reuniu alguns dos cerca de cem idosos acolhidos pela instituição em um momento de aprendizado, interação e convivência.

A oficina é coordenada pela nutricionista da entidade, Laura Toledo, com a colaboração de duas estagiárias do curso de Nutrição da Universidade Federal de Mato Grosso, Jasmin Silva Lima e Amanda Gusmão, que auxiliam no desenvolvimento das atividades e no acompanhamento dos participantes.

Durante o encontro, os idosos tiveram a oportunidade de participar ativamente do preparo de receitas, compartilhando experiências, memórias afetivas e conhecimentos adquiridos ao longo da vida. Mais do que ensinar técnicas culinárias, a atividade busca estimular habilidades motoras, cognitivas e sociais, contribuindo para a manutenção da autonomia e da autoestima dos participantes.

Segundo a coordenação, a oficina representa um espaço de inclusão e protagonismo, onde cada idoso pode exercer sua criatividade e fortalecer vínculos com os demais moradores e colaboradores da instituição. A culinária também desperta lembranças positivas, favorecendo o bem-estar emocional e promovendo momentos de alegria e descontração.

Especialistas destacam que atividades como essa desempenham papel fundamental no envelhecimento saudável. Além de incentivar hábitos alimentares adequados, as oficinas culinárias ajudam a preservar capacidades funcionais, estimulam a coordenação motora, a concentração e a memória, fatores essenciais para a qualidade de vida na terceira idade.

Para a nutricionista Laura Toledo, o envolvimento dos idosos nas etapas de preparação dos alimentos fortalece a sensação de pertencimento e utilidade, aspectos importantes para a saúde física e emocional. A participação das estagiárias também proporciona uma rica troca de conhecimentos entre gerações, aproximando os futuros profissionais da realidade do cuidado com a pessoa idosa.

A direção do Abrigo Bom Jesus ressalta que iniciativas como a Oficina de Culinária integram o conjunto de ações desenvolvidas pela instituição com o objetivo de promover envelhecimento ativo, dignidade e qualidade de vida aos seus moradores. O sucesso de mais esta edição reforça a importância de atividades que valorizem a participação dos idosos, estimulando sua independência e fortalecendo sua integração social.

Mais do que preparar receitas, a oficina proporciona experiências significativas, resgata histórias e demonstra que o aprendizado, a convivência e a construção de novos momentos permanecem presentes em todas as fases da vida.

Gratidão é o Nosso Maior Presente. Acolha e Transforme.
Faça Parte da Corrente de Gratidão. Doe Seu Tempo ou Sua Ajuda!
Seja Voluntário
Ajude o abrigo compartilhando:
Últimas da fundação
Notícias
Casos de violência contra idosos quase triplicam em MT e alertam para necessidade de proteção

A campanha “Junho Violeta”, sob o tema “A liberdade não tem prazo de validade”, ganha urgência em Mato Grosso diante de um cenário de alerta, visto que as notificações de violência contra idosos triplicaram no estado em uma década. Dados do Atlas da Violência mostram que os registros nos serviços de saúde saltaram de 59 casos em 2014 para 174 em 2024. O avanço joga luz sobre o principal objetivo da mobilização, que é romper o silêncio em torno dos abusos na velhice, crimes ocorridos majoritariamente de forma oculta no ambiente familiar. Segundo especialistas, esse crescimento reflete tanto o envelhecimento acelerado da população, impulsionado pela transição demográfica do IBGE, quanto uma postura mais ativa da rede de saúde em reportar os casos pelo Sistema de Informação de Agravos de Notificação (Sinan). O comportamento desses dados na última década mostra o isolamento social enfrentado por essa população. Entre 2014 e 2015, Mato Grosso manteve média de 59 notificações anuais, mas, no ápice da pandemia em 2020, o número subiu para 63, refletindo o confinamento forçado das vítimas com seus agressores e o afastamento dos serviços de saúde. Com a retomada das atividades, a curva disparou até atingir o teto histórico em 2024, panorama que se repete no cenário nacional, onde houve alta de 226,3% na década, ultrapassando os 30 mil casos. Na capital, os impactos dessa realidade são observados diariamente pela rede socioassistencial do Sistema Único de Assistência Social (SUAS), conforme avalia a secretária municipal de Assistência Social, Direitos Humanos e Inclusão de Cuiabá, Hélida Vilela de Oliveira. “Muitos idosos chegam aos serviços em situação de fragilidade, isolamento, rompimento de vínculos familiares, ausência de cuidados e, em alguns casos, sem qualquer referência familiar capaz de exercer a função protetiva”, pontua a secretária. A atuação do município divide-se entre a prevenção de riscos e o atendimento especializado às violações instaladas. Na linha de frente preventiva, a Proteção Social Básica atua por meio dos Centros de Referência de Assistência Social (CRAS) e dos Centros de Convivência para Idosos (CCI). No primeiro trimestre de 2026, Cuiabá registrou 189 idosos no Serviço de Convivência e Fortalecimento de Vínculos (SCFV) nos CRAS e 1.104 participantes nos CCIs, além de realizar 1.679 emissões da Carteira da Pessoa Idosa. Hélida Vilela de Oliveira aponta que o convívio social funciona como um escudo protetor para a terceira idade. “A convivência comunitária tem impacto direto no enfrentamento à violência. Idosos que participam de grupos têm mais oportunidades de serem vistos e ouvidos, o que facilita a identificação precoce de mudanças de comportamento, sinais de abandono ou exploração financeira”, explica Hélida. Quando a violência se concretiza, os casos vão para a Proteção Social Especial de Média Complexidade, via Centros de Referência Especializados de Assistência Social (CREAS). O diagnóstico local é alarmante, pois, no primeiro trimestre de 2026, dos idosos acompanhados pelo Serviço de Proteção e Atendimento Especializado a Famílias e Indivíduos (PAEFI) na capital, 92,9% são relativos a situações de negligência ou abandono, enquanto 7,1% envolvem violência intrafamiliar física, psicológica ou sexual. O abuso contra idosos também se manifesta de forma estrutural e velada, associado à perda de autonomia e à falta de suporte. Um raio-x da rede municipal aponta que, entre os idosos que aguardam vaga em Instituições de Longa Permanência para Idosos (ILPI) em Cuiabá, 62,5% possuem autonomia parcial, 14,8% estão acamados e apenas 22,7% apresentam autonomia total. A vulnerabilidade habitacional e familiar desses idosos da fila de espera também demonstra insegurança, já que 44% residem com familiares sem a proteção necessária e 28,4% moram sozinhos. Outros 14,8% estão em situação de rua, 6,8% vivem em casas de apoio, 5,7% em casas de amigos e 3% encontram-se internados. Nos casos graves de risco iminente ou abandono, a Alta Complexidade entra com o acolhimento institucional. No primeiro trimestre de 2026, foram 193 acolhimentos em unidades para adultos e famílias em Cuiabá, além de 100 idosos assistidos na ILPI por meio de parceria com o tradicional Abrigo Bom Jesus. A realidade institucional, contudo, revela que os reflexos do abandono e da violência financeira sobrecarregam as entidades filantrópicas que atuam na ponta, conforme relata a presidente da fundação, Márcia Ferreira. “Hoje o Abrigo tem 100 idosos. Desses 100 idosos, eu diria que 99% é fruto do abandono. Do abandono familiar e, por conseguinte, então a violência desse abandono, né? E essa violência, não é só uma violência familiar. Cerca de 10% dos nossos idosos têm empréstimos consignados. Então, também é uma violência financeira. Bancos que usam do celular do idoso, ou o familiar que pega o cartão do idoso, vai ao banco sem a presença do idoso e faz o empréstimo consignado”, detalha. A presidente do abrigo aponta que, além do abuso financeiro e do abandono, existe uma terceira vertente que ela classifica como a “violência do poder público”, gerada pela lentidão na liberação de recursos voltados ao setor. Segundo Márcia, mais de R$ 5 milhões decorrentes de renúncia fiscal de grandes empresas, como a Energisa e o Grupo Bom Futuro, estão parados nos fundos estadual e municipal do idoso por falta de publicação de editais de chamamento público, ao passo que a fila de espera por uma vaga de acolhimento no próprio Abrigo Bom Jesus já soma 89 idosos. Diante disso, o grande desafio coletivo é romper a barreira da subnotificação, gerada pelo medo de retaliações ou pela dependência emocional e financeira que a vítima possui do agressor. O Junho Violeta reforça que envelhecer com dignidade e autonomia é um direito humano fundamental. A responsabilidade de proteger a população idosa não é exclusiva do Estado ou da vítima, mas de toda a sociedade. Ao presenciar qualquer sinal de maus-tratos, exploração patrimonial ou isolamento de um idoso, a orientação das autoridades é acionar imediatamente os canais de ajuda, como o Disque 100, que é gratuito e funciona 24 horas, delegacias de polícia, Ministério Público ou as unidades locais do CRAS e do CREAS, sendo a denúncia consciente a ferramenta mais eficaz para quebrar o ciclo de violência.

Notícias
Festa Junina do Abrigo Bom Jesus acontece neste sábado e celebra tradição com os idosos

Evento será realizado no dia 27 de junho, às 15h, com comidas típicas, decoração temática e momentos de integração entre os moradores e a comunidade. O Abrigo Bom Jesus promove neste sábado (27), às 15h, sua tradicional Festa Junina, reunindo moradores, familiares, voluntários e a comunidade em uma tarde de celebração, alegria e confraternização. Com decoração temática, trajes caipiras e muitas tradições juninas, o evento busca proporcionar momentos de lazer, integração e valorização dos idosos atendidos pela instituição. A festa contará com atrações típicas que remetem à cultura popular brasileira e ao clima acolhedor característico das comemorações de São João. A iniciativa também é uma oportunidade para aproximar a comunidade do trabalho desenvolvido pelo Abrigo Bom Jesus, fortalecendo os laços de solidariedade e convivência com os moradores. A organização convida toda a população a participar da festividade e celebrar junto com os idosos uma tarde especial repleta de música, alegria e tradição.

Notícias
Artista Gervane de Paula acompanha idosos do Abrigo do Bom Jesus em tarde de torcida pela Seleção Brasileira

O clima de Copa do Mundo já tomou conta dos corredores e ambientes do Abrigo do Bom Jesus. Na tarde deste domingo, o renomado artista plástico Gervane de Paula escolheu uma companhia especial para assistir ao amistoso da Seleção Brasileira: os idosos residentes da instituição. Vestidos com camisetas verde e amarelas, os moradores demonstram entusiasmo e expectativa a cada partida da equipe nacional. Muitos deles têm permanecido mais tempo diante dos aparelhos de televisão, acompanhando notícias, comentários esportivos e os jogos preparatórios da Seleção. Entre os torcedores mais animados está , Fernandes Máximo Evangelista , 84 anos, conhecido carinhosamente como “Fernandão”. Ex-jogador do Mixto Esporte Clube na década de 1970, ele reside no Abrigo do Bom Jesus há mais de cinco anos e mantém vivo o espírito competitivo que marcou sua trajetória nos gramados. No dia a dia, é comum vê-lo disputando partidas de dominó com outros idosos e visitantes. “Estou confiante que a nossa Seleção Brasileira vai trazer o caneco para nós e nos dar a mesma alegria que um dia nos deram Pelé, Gerson, Félix e Clodoaldo, craques da seleção vitoriosa de 1970, no México”, afirma. Pai de três filhos, Fernandão convive com algumas limitações físicas, mas não abre mão das atividades que mais aprecia. Apaixonado por música, adora tocar violão e participar de rodas de samba, momentos que ajudam a manter a alegria e a integração com os demais moradores. Se Fernandão continua defendendo até hoje as cores do seu eterno Mixto, no Abrigo do Bom Jesus também há espaço para torcedores apaixonados de outros clubes. Alguns idosos, inseparáveis de seus rádios de pilha, acompanham fielmente as jornadas esportivas de times como Palmeiras, Flamengo e Corinthians. Entre eles estão Celso Lopes ,73 anos, e Darcilio dos Santos , 82 anos, que não escondem a paixão por suas equipes do coração. Mas quando a Seleção Brasileira entra em campo, as rivalidades ficam de lado. O sentimento é único e compartilhado por todos. O verde e amarelo estampado nas roupas dos moradores e na decoração dos ambientes traduz a esperança e a emoção que unem gerações em torno do futebol. Ao lado dos idosos, Gervane de Paula participou desse momento de confraternização e celebração, reforçando a importância do convívio, da valorização da memória e do fortalecimento dos laços afetivos por meio do esporte, uma paixão capaz de reunir histórias, lembranças e sonhos em uma mesma torcida.

Notícias
Junho reforça combate à violência contra idosos e alerta para crescimento das denúncias

Com mais de 179 mil denúncias registradas em 2024, campanha reforça a importância da denúncia e da proteção à pessoa idosa. Junho é marcado pela mobilização em defesa dos direitos da pessoa idosa. O mês é dedicado à conscientização e ao enfrentamento da violência contra idosos, tendo como referência o Dia Mundial de Conscientização da Violência contra a Pessoa Idosa, celebrado em 15 de junho. A data busca sensibilizar a sociedade sobre a importância da proteção, do respeito e da garantia da dignidade na terceira idade. O tema ganha ainda mais relevância diante do aumento dos registros de violência em todo o país. Dados do Ministério dos Direitos Humanos e da Cidadania apontam que, somente em 2024, foram registradas mais de 179 mil denúncias envolvendo pessoas idosas por meio do Disque 100, resultando em mais de 960 mil violações de direitos identificadas. Para a presidente da Fundação Abrigo do Bom Jesus, Márcia Ferreira, os números revelam uma realidade preocupante e muitas vezes invisível. “Grande parte dos idosos que sofrem violência não consegue denunciar por medo, dependência emocional ou financeira dos próprios familiares. Por isso, é fundamental que vizinhos, amigos e toda a comunidade estejam atentos aos sinais e façam a denúncia quando necessário”, destaca. Segundo Márcia Ferreira, a conscientização da população é uma das principais ferramentas para combater os maus-tratos. “Quem denuncia pode salvar uma vida. O silêncio contribui para que a violência continue acontecendo. Precisamos fortalecer a cultura do cuidado, do respeito e da proteção à pessoa idosa”, afirma Márcia que ao mesmo tempo revela sua preocupação com a falta de uma instituição pública em Cuiabá para acolher os idosos vítimas da violência do abandono ou de maus tratos . A realidade observada nacionalmente também se reflete em Cuiabá. De acordo com o delegado Marcos Veloso, titular da Delegacia Especializada de Delitos Contra a Pessoa Idosa, mais de 500 denúncias foram registradas pela unidade no período de um ano. “O número é expressivo e demonstra que a violência contra a pessoa idosa está presente em diversas formas, desde a negligência até a violência psicológica, patrimonial e física”, explica. O delegado ressalta que a maioria dos casos ocorre justamente no ambiente em que o idoso deveria encontrar proteção. “A maior parte das ocorrências acontece dentro do próprio núcleo familiar. Muitas vezes, o agressor é um filho, neto, cuidador ou outro familiar próximo, o que torna a situação ainda mais delicada e difícil de ser denunciada pela vítima”, afirma Veloso. As autoridades reforçam que qualquer suspeita de maus-tratos pode ser comunicada pelo Disque 100, canal gratuito e sigiloso de denúncia de violações de direitos humanos. Especialistas lembram que sinais como isolamento, abandono, falta de cuidados básicos, alterações emocionais, lesões inexplicáveis e movimentações financeiras suspeitas podem indicar situações de violência. Diante do aumento dos registros, a mensagem das instituições de proteção é clara: denunciar é um ato de responsabilidade social e pode representar a diferença entre o sofrimento silencioso e a garantia de uma vida digna para milhares de idosos brasileiros.

Notícias
Mulheres transformam comunidades com solidariedade em Cuiabá

No Dia Internacional da Mulher, celebrado em 8 de março, histórias de mulheres que dedicam tempo, talento e sensibilidade para transformar a vida de outras pessoas mostram que o impacto social muitas vezes começa com pequenas iniciativas e cresce dentro das comunidades. Em Cuiabá, exemplos de solidariedade, cuidado e mobilização social partem das que atuam no voluntariado, na saúde e em ações comunitárias. A voluntária Bruna Lima é fundadora do grupo Netos da Alegria, que realiza visitas ao Abrigo Bom Jesus para levar momentos de carinho e companhia aos idosos. A inspiração para o trabalho voluntário vem de casa. “Eu sempre fiz trabalho voluntário. Cresci acompanhando minha mãe, Suely Lima, fazendo esse tipo de trabalho,tive uma experiencia quando trabalhava na área da saúde, gostei e comecei”, conta. A ideia do grupo surgiu durante o Outubro Rosa, quando Bruna organizou um “dia de beleza” para as idosas do abrigo. A iniciativa deu origem ao projeto, que hoje realiza visitas mensais. “A gente pinta a unha delas, faz trança no cabelo, joga dominó com os rapazes. O foco maior é dar atenção, porque enquanto a gente faz essas atividades surge o diálogo e o carinho”, explica. Outra voluntária que atua diretamente com pessoas em situação de vulnerabilidade é Célia Leite, integrante da Associação Solar – Solidariedade, Amparo e Resgate. Ela começou no projeto de forma inesperada, após uma vizinha pedir uma assadeira emprestada para preparar bolos de uma ação solidária. No começo eram poucas marmitas, depois passamos a fazer 100, 150, até 200 para entregar nas ruas. Célia afirma que sua motivação para atuar em causas sociais vem da própria trajetória de vida. “O Solar nasceu da dor que eu vi de perto, mulheres silenciadas, famílias desamparadas, crianças precisando de proteção. E eu sempre acreditei que a solidariedade não pode ser apenas sentimento, ela precisa ser ação. Liderar essa associação não é apenas uma função, é um propósito de vida.”, conta Célia. Hoje, ela afirma que vê o trabalho social também como uma forma de apoiar pessoas de comunidades esquecidas. Na área da saúde, a enfermeira Oriana Flumignan também transformou uma política pública em um projeto que impacta diretamente a vida de pacientes. Ela criou em Cuiabá o primeiro grupo de apoio para pessoas que desejam parar de fumar dentro do Programa Nacional de Controle do Tabagismo. O projeto começou em 2016 após profissionais de saúde identificarem um grande número de fumantes atendidos na unidade. Um levantamento na Unidade Básica de Saúde do Planalto encontraram 22 pacientes que queriam parar de fumar e iniciaram o primeiro grupo”, explica. Além do protocolo médico, Oriana também implantou terapias complementares para ajudar no processo de cessação do tabagismo como a auriculoterapia como tratamento auxiliar para ajudar a controlar ansiedade, compulsão e insônia, que são dificuldades comuns para quem está tentando parar de fumar. O projeto parou durante a Pandemia e hoje, na Unidade básica de Saúde do bairro Bela Vista, o grupo realiza reuniões semanais e atividades de apoio, como caminhadas e encontros temáticos. “Sempre procuro aplicar o que o Ministério da Saúde recomenda. Quando percebi a demanda de pessoas que queriam parar de fumar, senti que precisava dar uma resposta como profissional de saúde. Também existe um motivo pessoal: perdi meu pai, tabagista desde os 11 anos, que teve um aneurisma cerebral aos 48. Ao longo da vida vi muitas pessoas sofrerem por doenças ligadas ao cigarro. Por isso acredito tanto nesse trabalho”, relata Oriana. Ela considera o apoio do grupo como algo fundamental, visto que muitas pessoas já tentaram parar sozinhas ou com tratamento particular, mas no grupo encontram força, acolhimento e apoio para conseguir. Histórias como as de Bruna, Célia e Oriana mostram que o protagonismo feminino vai além de cargos ou posições formais. Em diferentes áreas, essas mulheres impactam diretamente suas comunidades, provando que empatia, iniciativa e dedicação podem transformar realidades.

Notícias
Infecção urinária em idosos e bactérias multirresistentes são foco de estudo em abrigo de Cuiabá

A escolha se deve à sua alta incidência na população idosa A infecção urinária e o tratamento de bactérias multirresistentes foram temas de um estudo compartilhado entre o corpo docente do Instituto de Pesquisa e Desenvolvimento Humano (IPDH) e a equipe do Abrigo Bom Jesus, em Cuiabá. A iniciativa integra um termo de parceria entre as duas instituições, que permite a estudantes desenvolverem estágio obrigatório na unidade, que atualmente acolhe cerca de 100 idosos. As diversas comorbidades apresentadas pelos residentes — com idades entre 66 e 108 anos — tornam o ambiente um campo relevante para a formação prática dos alunos, especialmente do curso de enfermagem. A escolha da infecção urinária como objeto de estudo se deve à sua alta incidência na população idosa. De acordo com os profissionais envolvidos, a condição frequentemente se manifesta de forma silenciosa ou com sintomas atípicos, como confusão mental, quedas e prostração, muitas vezes sem dor ou febre. Entre os principais fatores de risco estão a baixa ingestão de líquidos, o uso prolongado de fraldas e sondas, e falhas em práticas adequadas de higiene. Segundo a responsável técnica do Abrigo Bom Jesus, a enfermeira Emily Estefânia, a maior preocupação da equipe está relacionada à presença de bactérias multirresistentes, que dificultam o tratamento. “Muitas dessas infecções são adquiridas durante internações hospitalares”, explica. A enfermeira relata ainda casos críticos acompanhados pela instituição. “Temos dois idosos que foram abandonados em hospitais públicos de Cuiabá e receberam alta mesmo acometidos por bactérias associadas a infecções hospitalares”, afirma. Diante da situação, a gestão do abrigo recorreu à Justiça para garantir que o poder público custeasse atendimento em home care para esses pacientes, como forma de proteger os demais residentes. A infecção urinária em idosos é considerada uma importante causa de morbidade e mortalidade no Brasil, além de figurar entre os principais motivos de internação hospitalar. Estima-se que cerca de 10% dos homens e 20% das mulheres com mais de 65 anos sejam acometidos pela doença. Esse índice pode dobrar entre pessoas com mais de 80 anos, faixa etária predominante no Abrigo Bom Jesus. A presidente do Abrigo Bom Jesus, Márcia Ferreira, destaca a importância de parcerias dessa natureza para a entidade. “O Abrigo do Bom Jesus é um campo de estudo para pesquisas e desenvolvimento de protocolos . A presença de instituições de ensino melhora a qualidade do atendimento e qualifica nossa equipe multidisciplinar, formada por enfermeiros, técnicos de enfermagem, psicólogo, nutricionista, assistente social e fisioterapeuta, além dos nossos cuidadores . Um quadro de quase 90 profissionais contratados para o atendimento a 100 idosos residentes”, finaliza.

Nos envie uma mensagem