Festa Junina do Abrigo Bom Jesus reúne gerações em tarde de alegria e inclusão

Evento contou com a presença de familiares, voluntários e garantiu a participação dos 101 residentes, incluindo os idosos acamados e cadeirantes

A edição de 2026 da tradicional Festa Junina do Abrigo Bom Jesus foi marcada por momentos de alegria, integração e inclusão. Neste ano, os idosos acamados também participaram da celebração, interagindo com os demais residentes, familiares, amigos e convidados em uma tarde repleta de carinho e animação.

Familiares e amigos dos 101 moradores da instituição prestigiaram o evento, ao lado dos grupos de voluntários que contribuem durante todo o ano com o dia a dia do abrigo. O grupo Netos da Alegria foi responsável pela pescaria, uma das atrações que mais movimentou a festa.

Outro destaque ficou por conta dos amigos do Manoel da Canjica, que, além de servirem a tradicional canjica, proporcionaram um animado show de dança de salão. O grupo também comandou a quadrilha, que contou com a participação de diversos idosos, incluindo moradores cadeirantes, reforçando o espírito de inclusão e celebração que marcou a festa.

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Junho Violeta termina com alerta para a situação dos idosos em vulnerabilidade

O mês de junho chega ao fim deixando um importante alerta à sociedade e ao poder público. Conhecido como Junho Violeta, o período é dedicado à conscientização e ao combate à violência contra a pessoa idosa, chamando a atenção para uma realidade que tende a se agravar nas próximas décadas em razão do acelerado envelhecimento da população brasileira. O Brasil já possui mais de 32 milhões de pessoas com 60 anos ou mais. Atualmente, existem cerca de 6,2 mil Instituições de Longa Permanência para Idosos (ILPIs) no país, que acolhem aproximadamente 160 mil idosos. Desse total, cerca de 65% das instituições são filantrópicas, enquanto apenas 6,5% são mantidas diretamente pelo poder público. Para a presidente da Fundação Abrigo Bom Jesus, Márcia Ferreira, por trás desses números existem fatos que exigem atenção e responsabilidade do Estado que também é , segundo ela, agente da violência contra a pessoa idosa , tanto quanto a violência do abandono familiar . “As instituições filantrópicas convivem diariamente com enormes desafios financeiros e operacionais. Em Cuiabá, como o município não possui uma instituição pública de longa permanência para idosos, os acolhimentos são encaminhados para o Abrigo Bom Jesus por meio de convênio com a Prefeitura. No entanto, o município repassa aproximadamente R$ 1.300 por idoso, enquanto o custo real de manutenção é de cerca de R$ 5.200 mensais por pessoa”, explica. Segundo ela, a situação é ainda mais preocupante porque existe uma fila administrada pela Secretaria Municipal de Assistência Social com quase 90 idosos em situação de vulnerabilidade social aguardando acolhimento. Enquanto isso, a Prefeitura de Cuiabá anunciou a construção de uma instituição pública de longa permanência, com previsão de conclusão apenas para 2028. De acordo com a dirigente da Associação Seara de Luz, Elione Fátima de Almeida Santos, entidade beneficente que atua tanto no atendimento de crianças quanto no acolhimento de idosos abandonados, a solução imediata passa pela ampliação dos convênios com as entidades filantrópicas. “É preciso que a Prefeitura firme novos convênios para ampliar o número de vagas. Se existe realmente interesse em resolver esse problema, é necessário fortalecer quem já presta esse serviço. Caso contrário, a fila poderá ultrapassar rapidamente a marca de cem idosos aguardando acolhimento”, afirma. Integração entre Saúde e Assistência Social Outro ponto considerado prioritário pelas instituições é a integração entre as políticas públicas de assistência social e saúde para garantir o atendimento adequado aos idosos institucionalizados. Segundo Márcia Ferreira, é necessário redesenhar o papel do Sistema Único de Saúde (SUS) e do Sistema Único de Assistência Social (SUAS) na política nacional de cuidados de longa duração. “Hoje, as instituições assumem também uma função de atendimento em saúde, mas sem o devido financiamento. Muitos idosos chegam ao Abrigo Bom Jesus após terem sido abandonados em hospitais, vários deles acamados, necessitando de cuidados permanentes, uso de oxigênio, medicamentos e acompanhamento de enfermagem, mas sem qualquer custeio específico do SUS”, destaca. Ela defende que os custos relacionados à assistência em saúde dos idosos institucionalizados sejam financiados pelo Sistema Único de Saúde. “É uma incoerência que hospitais particulares contem com leitos financiados pelo SUS e que instituições filantrópicas, que atendem idosos em situação de extrema vulnerabilidade, não possam receber esse mesmo apoio”, ressalta. Atualmente, o Abrigo Bom Jesus acolhe 101 idosos, dos quais aproximadamente 20 são acamados, portadores de doenças crônicas e com necessidade de atendimento permanente de saúde. Expectativa pela aprovação do Projeto de Lei 411/2024 As entidades filantrópicas de Mato Grosso e de todo o país acompanham com expectativa a tramitação do Projeto de Lei nº 411/2024, de autoria do deputado federal Pepe Vargas, que propõe a integração entre o Sistema Único de Saúde (SUS) e o Sistema Único de Assistência Social (SUAS), criando mecanismos permanentes de financiamento dos cuidados prestados aos idosos institucionalizados. Além da proposta em tramitação no Congresso Nacional, em 2025 a diretoria da Fundação Abrigo Bom Jesus, por intermédio da senadora Margareth Buzetti, encaminhou ao ministro da Saúde, Alexandre Padilha, um documento solicitando a edição de uma portaria interministerial entre os Ministérios da Saúde e do Desenvolvimento e Assistência Social. A proposta prevê a criação de instrumentos que permitam a utilização de recursos públicos para custear os serviços de saúde oferecidos aos idosos acolhidos por instituições filantrópicas. Neste encerramento do Junho Violeta, dirigentes das entidades reforçam que o enfrentamento da violência contra a pessoa idosa também passa pela garantia de políticas públicas que assegurem acolhimento digno, financiamento adequado e acesso integral à saúde para aqueles que vivem em instituições de longa permanência.

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Casos de violência contra idosos quase triplicam em MT e alertam para necessidade de proteção

A campanha “Junho Violeta”, sob o tema “A liberdade não tem prazo de validade”, ganha urgência em Mato Grosso diante de um cenário de alerta, visto que as notificações de violência contra idosos triplicaram no estado em uma década. Dados do Atlas da Violência mostram que os registros nos serviços de saúde saltaram de 59 casos em 2014 para 174 em 2024. O avanço joga luz sobre o principal objetivo da mobilização, que é romper o silêncio em torno dos abusos na velhice, crimes ocorridos majoritariamente de forma oculta no ambiente familiar. Segundo especialistas, esse crescimento reflete tanto o envelhecimento acelerado da população, impulsionado pela transição demográfica do IBGE, quanto uma postura mais ativa da rede de saúde em reportar os casos pelo Sistema de Informação de Agravos de Notificação (Sinan). O comportamento desses dados na última década mostra o isolamento social enfrentado por essa população. Entre 2014 e 2015, Mato Grosso manteve média de 59 notificações anuais, mas, no ápice da pandemia em 2020, o número subiu para 63, refletindo o confinamento forçado das vítimas com seus agressores e o afastamento dos serviços de saúde. Com a retomada das atividades, a curva disparou até atingir o teto histórico em 2024, panorama que se repete no cenário nacional, onde houve alta de 226,3% na década, ultrapassando os 30 mil casos. Na capital, os impactos dessa realidade são observados diariamente pela rede socioassistencial do Sistema Único de Assistência Social (SUAS), conforme avalia a secretária municipal de Assistência Social, Direitos Humanos e Inclusão de Cuiabá, Hélida Vilela de Oliveira. “Muitos idosos chegam aos serviços em situação de fragilidade, isolamento, rompimento de vínculos familiares, ausência de cuidados e, em alguns casos, sem qualquer referência familiar capaz de exercer a função protetiva”, pontua a secretária. A atuação do município divide-se entre a prevenção de riscos e o atendimento especializado às violações instaladas. Na linha de frente preventiva, a Proteção Social Básica atua por meio dos Centros de Referência de Assistência Social (CRAS) e dos Centros de Convivência para Idosos (CCI). No primeiro trimestre de 2026, Cuiabá registrou 189 idosos no Serviço de Convivência e Fortalecimento de Vínculos (SCFV) nos CRAS e 1.104 participantes nos CCIs, além de realizar 1.679 emissões da Carteira da Pessoa Idosa. Hélida Vilela de Oliveira aponta que o convívio social funciona como um escudo protetor para a terceira idade. “A convivência comunitária tem impacto direto no enfrentamento à violência. Idosos que participam de grupos têm mais oportunidades de serem vistos e ouvidos, o que facilita a identificação precoce de mudanças de comportamento, sinais de abandono ou exploração financeira”, explica Hélida. Quando a violência se concretiza, os casos vão para a Proteção Social Especial de Média Complexidade, via Centros de Referência Especializados de Assistência Social (CREAS). O diagnóstico local é alarmante, pois, no primeiro trimestre de 2026, dos idosos acompanhados pelo Serviço de Proteção e Atendimento Especializado a Famílias e Indivíduos (PAEFI) na capital, 92,9% são relativos a situações de negligência ou abandono, enquanto 7,1% envolvem violência intrafamiliar física, psicológica ou sexual. O abuso contra idosos também se manifesta de forma estrutural e velada, associado à perda de autonomia e à falta de suporte. Um raio-x da rede municipal aponta que, entre os idosos que aguardam vaga em Instituições de Longa Permanência para Idosos (ILPI) em Cuiabá, 62,5% possuem autonomia parcial, 14,8% estão acamados e apenas 22,7% apresentam autonomia total. A vulnerabilidade habitacional e familiar desses idosos da fila de espera também demonstra insegurança, já que 44% residem com familiares sem a proteção necessária e 28,4% moram sozinhos. Outros 14,8% estão em situação de rua, 6,8% vivem em casas de apoio, 5,7% em casas de amigos e 3% encontram-se internados. Nos casos graves de risco iminente ou abandono, a Alta Complexidade entra com o acolhimento institucional. No primeiro trimestre de 2026, foram 193 acolhimentos em unidades para adultos e famílias em Cuiabá, além de 100 idosos assistidos na ILPI por meio de parceria com o tradicional Abrigo Bom Jesus. A realidade institucional, contudo, revela que os reflexos do abandono e da violência financeira sobrecarregam as entidades filantrópicas que atuam na ponta, conforme relata a presidente da fundação, Márcia Ferreira. “Hoje o Abrigo tem 100 idosos. Desses 100 idosos, eu diria que 99% é fruto do abandono. Do abandono familiar e, por conseguinte, então a violência desse abandono, né? E essa violência, não é só uma violência familiar. Cerca de 10% dos nossos idosos têm empréstimos consignados. Então, também é uma violência financeira. Bancos que usam do celular do idoso, ou o familiar que pega o cartão do idoso, vai ao banco sem a presença do idoso e faz o empréstimo consignado”, detalha. A presidente do abrigo aponta que, além do abuso financeiro e do abandono, existe uma terceira vertente que ela classifica como a “violência do poder público”, gerada pela lentidão na liberação de recursos voltados ao setor. Segundo Márcia, mais de R$ 5 milhões decorrentes de renúncia fiscal de grandes empresas, como a Energisa e o Grupo Bom Futuro, estão parados nos fundos estadual e municipal do idoso por falta de publicação de editais de chamamento público, ao passo que a fila de espera por uma vaga de acolhimento no próprio Abrigo Bom Jesus já soma 89 idosos. Diante disso, o grande desafio coletivo é romper a barreira da subnotificação, gerada pelo medo de retaliações ou pela dependência emocional e financeira que a vítima possui do agressor. O Junho Violeta reforça que envelhecer com dignidade e autonomia é um direito humano fundamental. A responsabilidade de proteger a população idosa não é exclusiva do Estado ou da vítima, mas de toda a sociedade. Ao presenciar qualquer sinal de maus-tratos, exploração patrimonial ou isolamento de um idoso, a orientação das autoridades é acionar imediatamente os canais de ajuda, como o Disque 100, que é gratuito e funciona 24 horas, delegacias de polícia, Ministério Público ou as unidades locais do CRAS e do CREAS, sendo a denúncia consciente a ferramenta mais eficaz para quebrar o ciclo de violência.

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Oficina de Culinária promove integração, autonomia e bem-estar entre idosos

Os moradores do Abrigo Bom Jesus participaram de mais uma edição da tradicional Oficina de Culinária, atividade que tem se destacado como uma importante ferramenta de promoção da saúde, socialização e valorização da pessoa idosa. A iniciativa reuniu alguns dos cerca de cem idosos acolhidos pela instituição em um momento de aprendizado, interação e convivência. A oficina é coordenada pela nutricionista da entidade, Laura Toledo, com a colaboração de duas estagiárias do curso de Nutrição da Universidade Federal de Mato Grosso, Jasmin Silva Lima e Amanda Gusmão, que auxiliam no desenvolvimento das atividades e no acompanhamento dos participantes. Durante o encontro, os idosos tiveram a oportunidade de participar ativamente do preparo de receitas, compartilhando experiências, memórias afetivas e conhecimentos adquiridos ao longo da vida. Mais do que ensinar técnicas culinárias, a atividade busca estimular habilidades motoras, cognitivas e sociais, contribuindo para a manutenção da autonomia e da autoestima dos participantes. Segundo a coordenação, a oficina representa um espaço de inclusão e protagonismo, onde cada idoso pode exercer sua criatividade e fortalecer vínculos com os demais moradores e colaboradores da instituição. A culinária também desperta lembranças positivas, favorecendo o bem-estar emocional e promovendo momentos de alegria e descontração. Especialistas destacam que atividades como essa desempenham papel fundamental no envelhecimento saudável. Além de incentivar hábitos alimentares adequados, as oficinas culinárias ajudam a preservar capacidades funcionais, estimulam a coordenação motora, a concentração e a memória, fatores essenciais para a qualidade de vida na terceira idade. Para a nutricionista Laura Toledo, o envolvimento dos idosos nas etapas de preparação dos alimentos fortalece a sensação de pertencimento e utilidade, aspectos importantes para a saúde física e emocional. A participação das estagiárias também proporciona uma rica troca de conhecimentos entre gerações, aproximando os futuros profissionais da realidade do cuidado com a pessoa idosa. A direção do Abrigo Bom Jesus ressalta que iniciativas como a Oficina de Culinária integram o conjunto de ações desenvolvidas pela instituição com o objetivo de promover envelhecimento ativo, dignidade e qualidade de vida aos seus moradores. O sucesso de mais esta edição reforça a importância de atividades que valorizem a participação dos idosos, estimulando sua independência e fortalecendo sua integração social. Mais do que preparar receitas, a oficina proporciona experiências significativas, resgata histórias e demonstra que o aprendizado, a convivência e a construção de novos momentos permanecem presentes em todas as fases da vida.

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Festa Junina do Abrigo Bom Jesus acontece neste sábado e celebra tradição com os idosos

Evento será realizado no dia 27 de junho, às 15h, com comidas típicas, decoração temática e momentos de integração entre os moradores e a comunidade. O Abrigo Bom Jesus promove neste sábado (27), às 15h, sua tradicional Festa Junina, reunindo moradores, familiares, voluntários e a comunidade em uma tarde de celebração, alegria e confraternização. Com decoração temática, trajes caipiras e muitas tradições juninas, o evento busca proporcionar momentos de lazer, integração e valorização dos idosos atendidos pela instituição. A festa contará com atrações típicas que remetem à cultura popular brasileira e ao clima acolhedor característico das comemorações de São João. A iniciativa também é uma oportunidade para aproximar a comunidade do trabalho desenvolvido pelo Abrigo Bom Jesus, fortalecendo os laços de solidariedade e convivência com os moradores. A organização convida toda a população a participar da festividade e celebrar junto com os idosos uma tarde especial repleta de música, alegria e tradição.

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Artista Gervane de Paula acompanha idosos do Abrigo do Bom Jesus em tarde de torcida pela Seleção Brasileira

O clima de Copa do Mundo já tomou conta dos corredores e ambientes do Abrigo do Bom Jesus. Na tarde deste domingo, o renomado artista plástico Gervane de Paula escolheu uma companhia especial para assistir ao amistoso da Seleção Brasileira: os idosos residentes da instituição. Vestidos com camisetas verde e amarelas, os moradores demonstram entusiasmo e expectativa a cada partida da equipe nacional. Muitos deles têm permanecido mais tempo diante dos aparelhos de televisão, acompanhando notícias, comentários esportivos e os jogos preparatórios da Seleção. Entre os torcedores mais animados está , Fernandes Máximo Evangelista , 84 anos, conhecido carinhosamente como “Fernandão”. Ex-jogador do Mixto Esporte Clube na década de 1970, ele reside no Abrigo do Bom Jesus há mais de cinco anos e mantém vivo o espírito competitivo que marcou sua trajetória nos gramados. No dia a dia, é comum vê-lo disputando partidas de dominó com outros idosos e visitantes. “Estou confiante que a nossa Seleção Brasileira vai trazer o caneco para nós e nos dar a mesma alegria que um dia nos deram Pelé, Gerson, Félix e Clodoaldo, craques da seleção vitoriosa de 1970, no México”, afirma. Pai de três filhos, Fernandão convive com algumas limitações físicas, mas não abre mão das atividades que mais aprecia. Apaixonado por música, adora tocar violão e participar de rodas de samba, momentos que ajudam a manter a alegria e a integração com os demais moradores. Se Fernandão continua defendendo até hoje as cores do seu eterno Mixto, no Abrigo do Bom Jesus também há espaço para torcedores apaixonados de outros clubes. Alguns idosos, inseparáveis de seus rádios de pilha, acompanham fielmente as jornadas esportivas de times como Palmeiras, Flamengo e Corinthians. Entre eles estão Celso Lopes ,73 anos, e Darcilio dos Santos , 82 anos, que não escondem a paixão por suas equipes do coração. Mas quando a Seleção Brasileira entra em campo, as rivalidades ficam de lado. O sentimento é único e compartilhado por todos. O verde e amarelo estampado nas roupas dos moradores e na decoração dos ambientes traduz a esperança e a emoção que unem gerações em torno do futebol. Ao lado dos idosos, Gervane de Paula participou desse momento de confraternização e celebração, reforçando a importância do convívio, da valorização da memória e do fortalecimento dos laços afetivos por meio do esporte, uma paixão capaz de reunir histórias, lembranças e sonhos em uma mesma torcida.

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Junho reforça combate à violência contra idosos e alerta para crescimento das denúncias

Com mais de 179 mil denúncias registradas em 2024, campanha reforça a importância da denúncia e da proteção à pessoa idosa. Junho é marcado pela mobilização em defesa dos direitos da pessoa idosa. O mês é dedicado à conscientização e ao enfrentamento da violência contra idosos, tendo como referência o Dia Mundial de Conscientização da Violência contra a Pessoa Idosa, celebrado em 15 de junho. A data busca sensibilizar a sociedade sobre a importância da proteção, do respeito e da garantia da dignidade na terceira idade. O tema ganha ainda mais relevância diante do aumento dos registros de violência em todo o país. Dados do Ministério dos Direitos Humanos e da Cidadania apontam que, somente em 2024, foram registradas mais de 179 mil denúncias envolvendo pessoas idosas por meio do Disque 100, resultando em mais de 960 mil violações de direitos identificadas. Para a presidente da Fundação Abrigo do Bom Jesus, Márcia Ferreira, os números revelam uma realidade preocupante e muitas vezes invisível. “Grande parte dos idosos que sofrem violência não consegue denunciar por medo, dependência emocional ou financeira dos próprios familiares. Por isso, é fundamental que vizinhos, amigos e toda a comunidade estejam atentos aos sinais e façam a denúncia quando necessário”, destaca. Segundo Márcia Ferreira, a conscientização da população é uma das principais ferramentas para combater os maus-tratos. “Quem denuncia pode salvar uma vida. O silêncio contribui para que a violência continue acontecendo. Precisamos fortalecer a cultura do cuidado, do respeito e da proteção à pessoa idosa”, afirma Márcia que ao mesmo tempo revela sua preocupação com a falta de uma instituição pública em Cuiabá para acolher os idosos vítimas da violência do abandono ou de maus tratos . A realidade observada nacionalmente também se reflete em Cuiabá. De acordo com o delegado Marcos Veloso, titular da Delegacia Especializada de Delitos Contra a Pessoa Idosa, mais de 500 denúncias foram registradas pela unidade no período de um ano. “O número é expressivo e demonstra que a violência contra a pessoa idosa está presente em diversas formas, desde a negligência até a violência psicológica, patrimonial e física”, explica. O delegado ressalta que a maioria dos casos ocorre justamente no ambiente em que o idoso deveria encontrar proteção. “A maior parte das ocorrências acontece dentro do próprio núcleo familiar. Muitas vezes, o agressor é um filho, neto, cuidador ou outro familiar próximo, o que torna a situação ainda mais delicada e difícil de ser denunciada pela vítima”, afirma Veloso. As autoridades reforçam que qualquer suspeita de maus-tratos pode ser comunicada pelo Disque 100, canal gratuito e sigiloso de denúncia de violações de direitos humanos. Especialistas lembram que sinais como isolamento, abandono, falta de cuidados básicos, alterações emocionais, lesões inexplicáveis e movimentações financeiras suspeitas podem indicar situações de violência. Diante do aumento dos registros, a mensagem das instituições de proteção é clara: denunciar é um ato de responsabilidade social e pode representar a diferença entre o sofrimento silencioso e a garantia de uma vida digna para milhares de idosos brasileiros.

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